7 de out de 2014

CHÃO CAIPIRA

Paraibuna | Foto: Dalmir Ribeiro Lima - Sesc SP

Paraibuna | Foto: Dalmir Ribeiro Lima - Sesc SP
A EOnline, por conta da realização do Festival deTurismo, convidou a historiadora Ângela Fileno, para contar um pouquinho mais sobre alguns dos roteiros do Brasileiro Que nem Eu, um eixo programático do programa de Turismo Social que busca desvendar territórios ao longo do País que não são conhecidos do turismo tradicional.
Estes roteiros acontecem durante o Festival, mas permanecem como opções na programação do Turismo Social realizado no Sesc em São Paulo. Aqui você conhece o roteiro Chão Caipira, que visita a cidade de Paraibuna.
 
PARAIBUNA, sabores da cidade
por Angela Fileno 
Você já provou um araçá-boi? Qual o formato de uma feijoa? Gostou do cheiro do camo-camo?
Quem visita Paraibuna se torna capaz de responder a estas questões. Afinal, a cidade oferece a seus visitantes uma grande variedade de frutos pouco conhecidos fora do Vale do Paraíba paulista. Como não se tornaram produtos plantados e comercializados em larga escala, estes frutos representam uma agradável descoberta aos turistas. Deixar a pressa de lado para apreciar o sabor agridoce de uma cajamanga madura é o primeiro passo para se acaipirar.
O próximo passo é se entregar à prosa. Não ao monólogo egocêntrico da cidade, mas à conversa, à troca de saberes e às envolventes histórias locais. Deixe o ritmo pausado da fala caipira tomar conta dos seus diálogos com os moradores. Se for preciso, incorpore expressões locais e adote o rico vocabulário há séculos construído pelos tropeiros que ajudaram a fundar a cidade.
É ainda preciso saber de antemão que estar em Paraibuna exige sorriso. Fica difícil não retribuir, pelo menos com um sorriso, a maneira afável que a cidade acolhe seus visitantes. Estampado nos rostos das pessoas, o sorriso é um indicativo do bom humor dos paraibunenses. Essa alegria está ligada às festas promovidas pela cidade. Ao som da viola e da sanfona, acompanhadas por casais de animados dançarinos e uma mesa farta, a festa serve para comemorar uma boa colheita, render graças a algum santo de devoção ou apenas retribuir a colaboração de amigos e parentes na execução de um trabalho coletivo.
Em dia de festa os moradores vestem seus melhores trajes, pintam com cal suas residências, enfeitam janelas, oferecem seus mais bem elaborados pratos aos romeiros e visitantes. Geralmente a comemoração não dura apenas um dia, ela vara a noite e, em muitos casos, se estende por mais de uma semana. Participar de festas como a de Santo Antônio, do Divino Espírito Santo, de São Benedito, de Reis e da Serenata da Lua significa presenciar a cultura caipira em ação. Momento em que os vínculos dos indivíduos com o sagrado se fortalecem e as sociabilidades aproximam os integrantes da comunidade. As festas são o ponto alto da cultura caipira da cidade.
Se você participar de uma das diversas comemorações de Paraibuna e não sair um pouco caipira, é porque não se deixou levar pelo ritmo da dança, pela cadência da fala tradicional ou não mergulhou nos sabores da cidade.

http://www.sescsp.org.br/online/artigo/8211_CHAO+CAIPIRA#/tagcloud=lista

Nenhum comentário:

Postar um comentário